Queridas,
Queria agradecer toda a paciência e a íntima cumplicidade aperfeiçoada ao longo desse ano. Pois para mim esse ano que termina, talvez tenha sido o mais difícil da última década. Mas... mudar e amadurecer a vida em tantos pontos, talvez seja mesmo tortuoso assim. E a de todas as reflexões que ficam sobre o amor, saúde, beleza e trabalho, conquistei esse ano uma perspectiva importante do que significa ser uma mulher.
Para as amigas que me conhecem a muitos anos, creio que já se acostumaram com a maneira demasiadamente intensa com que sinto e crio a vida. Me apaixonando e desapaixonando por pessoas e coisas feito um vulcão acordado, que às vezes cospe ilhas no mar ou derrama terra para o planeta. E já sabem que me queimo frequentemente, mas que renasço das cinzas.
Trago sempre em mim uma fé tão grande quanto o amor. E por mais complicado, doloroso e arriscado que pareça as entranhas de mundo e de sentimentos que me aventuro a viver de peito aberto, acredito que vou ser forte o bastante para ver passar aquilo que me gera angustias, aprendendo o que necessito e tentando semear um futuro melhor. Sentindo profundamente tantas alegrias quanto tristezas... sei que equacionar melhor essa margem é o meu maior desafio e o desejo mais profundo de todos, para que eu não me desgaste tanto, aprendendo a me preservar e não me lastimando em batalhas que muitas vezes já nascem perdidas.
Da minha avó, guardo o brilho sereno com que realizou sua vida, sabendo amar e ser amada, confiante que Deus acolhe e nos ajuda a realizar todos os desejos. De minha mãe, a força delicada de sentir a essência de todas as coisas e a maneira como ela afirma a beleza feminina. De Yanina a sabedoria sobre os seres humanos e a mais fiel companhia e cuidado. De Gil, todo generoso desvelo. Denise, a porta mágica por onde entra e se aconchega a arte. Kika, a congruência amazonica de tudo que profundamente acredito. Mayra, a inspiradora ternura e a companhia na jornada íntima de tantos anos pela adolescência e nesse desafio de se tornar uma "mulher". Luizinha, minha amiga mais antiga que reencontrei, reconhecendo sua imutável capacidade de ser uma esforçada companheirade minha errante alma para além de qualquer distância ou tempo. Jú, a base para um Rio de Janeiro melhor, maior companheira dos sambas e da convicção do que realmente importa. Marcela, tão perspicaz amiga que não me deixa nunca me perder de mim mesma. Miriam...que sendo a melhor amiga da minha mãe me traz uma sensação tão boa do que é a amizade bem curtida pelos anos, e que em nossa última conversa, me mostrou tantas coisas...entre elas, que eu ao sofrer tanto e tão frequentemente por amor, torturo muito não só a mim mesma mas a minha mãe, que gostaria que eu não tivesse que passar pelas mesmas penas que ela passou e que deixaram marcas tão profundas na alma e em sua vida. Talvez realmente seu sofrimento tenha ficado marcado em mim e eu reproduza meu exagerado amor por homens brilhantes e um tanto complicados afetivamente...pela minha própria incapacidade de me libertar de faltas que sinto. Mas...asseguro a mamãe e a todas... que não vai ser a vida inteira assim. E que 2011 voces não escutarão meus lamentos frequentes por essa trituração que ainda sinto, mas que estou inteiramente disposta a abandonar para realizar-me e aproveitar-me como mulher, de uma outra maneira.
Beijos e sinceros obrigadas a todas.
Amor.
Anita
Anita Moreira de Azevedo Ekman Simões
Todos esses sentimentos, uma colcha de retalhos, em que a vida vai costurando e projetando os nossos caminhos... que voce encontre o seu sempre cheio de alegrias, paz e amor.
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